“Despencados de voos cansativos
Complicados e pensativos
Machucados após tantos crivos
Blindados com nossos motivos
Amuados, reflexivos
E dá-lhe anti-depressivos
Acanhados entre discos e livros
Inofensivos
Será que o sol sai pra um voo melhor
Eu vou esperar, talvez na primavera
O céu clareia e vem calor vê só
O que sobrou de nós e o que já era
Em colapso o planeta gira, tanta mentira
Aumenta a ira de quem sofre mudo
A página vira, o são, delira, então a gente pira
E no meio disso tudo tamo tipo
Passarinhos
Soltos a voar dispostos
A achar um ninho
Nem que seja no peito um do outro
Passarinhos
Soltos a voar dispostos
A achar um ninho
Nem que seja no peito um do outro” Passarinho, 
Emicida
Nossos meninos e meninas mais "complicados e pensativos" estão longe de nossas escolas e estão em casa amuados e reflexivos. Alguns em ambientes que os "machucaram após tantos crivos".
Pais,professores e gestores de escola sabem, que, tempos antes de vivermos esta pandemia, passávamos por  um mal silencioso. Tristeza profunda, ansiedade, angustia, e muitas outras questões que estão sendo chamadas doenças da alma que levam nossos adolescentes a depressão. 
De certa forma, entre uma aula e outra, um sorriso e outro, uma conversa e outra, a escola estava conseguindo proporcionar um espaço de diálogo e acolhimento para as angustias, ansiedades, alegrias e vivências de nossos alunos.
E que angustias são essas? Por que essa tristeza, por que buscam alivio em emoções e atos que podem machuca-los física e emocionalmente? Emoções perigosas na internet, torturando suas mentes? O que será que estão vivendo, por quais situações estão passando? Talvez seja algo que se resolva com uma conversa franca. Ou quem sabe algo mais sério.
E os pais, que sofrem junto com os filhos, por vezes não sabem como ajuda-los, pois estes se fecham para qualquer tentativa de aproximação.
Pois é !! Toda parte socioafetiva que se vinha propondo a trabalhar nas escolas através da interação com o outro, a fim de desenvolver a empatia, a cooperação, a solidariedade, ouvindo e respeitando as diferenças, no momento estão a cargo da quarentena. Isto é, alguns de nossos lares terão e até desenvolverão estas habilidades, porém em outros restará o medo, ou a procura de um abrigo no mundo virtual, o que requer um cuidado grande.
Portanto, é hora de ficarmos atentos aos sinais, o que seu filho esta vendo na internet, porque ele esta tão quieto, o que será que esta sentindo?
O importante é sabermos que estamos enfrentando um vírus que nos obriga a passarmos por um momento delicado, mas que terá um fim. Enquanto ele não termina, precisamos lembrar de voluntários como CVV - Centro de Valorização a Vida (188) e de muitos órgãos públicos e sociais que podem proteger a todos nós e auxiliar a sociedade a passar por tudo isso com mais segurança. Além disso temos as "lives", tão populares em época de Covid e uma infinidade de pessoas na internet passando mensagens de conforto, fazendo reflexões , ensinando meditação e muito mais.
Enquanto "o sol não sair pra um voo melhor, eu vou esperar, talvez na primavera o céu clarear". Por enquanto, mesmo que virtualmente vamos ficar " tipo passarinhos, soltos a voar dispostos a achar um ninho, nem que seja no peito um do outro

Comentários

  1. Tempos dificeis, mas sobreviveremos. Esperamis aprender muitas lições desse tempo sombrio. Uma delas é dinheiro não resolve os problemas. Segundo. O trabalhador é a mola mestre desse sistema, sem ele nada funciona.

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    1. Pois é. Se o dinheiro pudesse comprar a cura para esse mal!! Ah que maravilha. Ou o abraço nas pessoas amadas!! Obrigada por sua mensagem. Grande abraço.

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  2. Momento ideal para os pais, dentro das possibilidades de cada um , voltarem mais atenção para os filhos!! Muitos pais terceirizando completamente a educação dos filhos , passando a responsabilidade completamente para as escolas!!

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    1. Concordo totalmente. Claro que muitos pais faz isso por falta de tempo. Mas como você disse, a oportunidade está aí, batendo na nossa porta. É hora de conhecer seu filho. Obrigada por fazer a sua parte como pai. Isso não tem preço. Um beijo carinhoso.

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